Recursos Humanos (RH) e os profissionais com deficiência

Como os profissionais de recursos humanos observam a inclusão? Quais as percepções desses especialistas sobre as cotas e a importância da diversidade? De que maneira um trabalhador com deficiência pode se destacar na disputa por uma vaga?

As percepções dos profissionais de recursos humanos sobre a inclusão de pessoas com deficiência nas empresas estão em transformação. E os trabalhadores com deficiência em busca de um emprego precisam se manter atualizados sobre essas mudanças.

“É fato que existe a Lei de Cotas e não podemos ignorar esse aspecto, mas a deficiência não é mais a prioridade, não é essa a característica que define a contratação da pessoa”, afirma Alessandra Ortega, gerente do projeto de inclusão da IBM Brasil.

“Ainda é preciso considerar a deficiência para prover a acessibilidade, mas o que buscamos saber é como o candidato pode contribuir para a evolução da empresa, o que essa pessoa, com e sem deficiência, tem para oferecer? Quais são as suas experiências? Quais são as vocações e habilidades?”, explica Alessandra.

“O desafio atual é encarar esse cenário de forma natural. Fala-se muito em vagas para pessoas com deficiência. Eu não preciso criar vagas para pessoas com deficiência, preciso criar vagas”, defende Marcelo Nóbrega, diretor de RH do McDonald’s.

“É a pessoa mais habilitada para o trabalho que será contratada, independentemente de características físicas ou pessoais”, diz Nóbrega. “Esse entendimento é o mais difícil, porque o preconceito existe e também há o receio do trabalhador com deficiência e de sua família em expor essa pessoa”, comenta o diretor.

 

NÃO DESTAQUE SUA DEFICIÊNCIA, MOSTRE QUEM VOCÊ É

IBM e McDonald’s foram os grandes vencedores da edição de 2018 do Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência, organizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de São Paulo.

E a presença das duas empresas no topo dessa lista comprova que a evolução dos processos de inclusão no mercado de trabalho tem base na modificação completa dessa estrutura. O esforço que antes era centralizado na busca de pessoas com deficiência com e meta única de cumprir as exigências da Lei de Cotas agora está voltado à captação de profissionais interessados em crescer profissionalmente.

Especificamente no McDonald’s, que tem um longo histórico de ser a oportunidade do primeiro emprego para muitos jovens com deficiência, a falta de experiência profissional não é fator determinante. É a habilidade de se destacar, muitas vezes algo natural, que vai fazer a diferença.

 

O PRIMEIRO EMPREGO DE CARLOS EDUARDO

Em Pouso Alegre (MG), o jovem Carlos Eduardo Bueno, de 25 anos, diagnosticado ainda na infância com a Síndrome de Asperger, um dos tipos do Transtorno do Espectro Autista (TEA), começou neste mês (janeiro de 2019) sua vida profissional em um dos restaurantes do McDonald’s.

Desde os seus 15 anos, Carlos Eduardo ajuda nas despesas de casa fazendo manutenção em computadores, mas era uma atividade autônoma, sem garantias ou renda fixa, não havia a ‘carteira assinada’.

A família do jovem enfrentou muitos obstáculos para conseguir um laudo atualizado e preenchido de maneira correta, mas isso não foi relevante na contratação do rapaz, tanto é que a empresa decidiu não incluir Carlos Eduardo na cota exigida pela legislação. Suas vocações e, principalmente, sua habilidade social é que resultaram na inclusão.

 

EMPREGO APOIADO E A NOVA INCLUSÃO

É fato, há muitas dificuldades para profissionais com deficiência encontrarem boas oportunidades em suas áreas de preferência, com salários compatíveis e planos de carreira concretos. Essa realidade pode variar conforme a região do País e de acordo com o segmento da empresa, mas é o interesse real na inclusão que pode mudar esse cenário.

Vagas

Quando a corporação está realmente voltada ao entendimento profundo sobre os benefícios da diversidade, os processos de inclusão podem atingir sucesso com mais rapidez. E há metodologias atualizadas de Emprego Apoiado que ajudam nessa caminhada.

“Emprego Apoiado é a chave para o exercício de uma função. Enquanto muitos discutem somente a entrada da pessoa no mercado de trabalho – e essa discussão é fundamental – poucos param para pensar. E depois da contratação? Como apoiar um profissional com deficiência para que ele possa executar seu trabalho da forma mais completa, com os subsídios necessários para contribuir com a empresa da melhor maneira?”, ressalta Murilo Cavellucci, diretor de gente e gestão da Catho.

“O olhar além da cota passa pela alta liderança da empresa. Tem de fazer parte da cultura da companhia, vivenciada no dia a dia, para se tornar valor de negócio. O setor de RH, com uma abordagem inclusiva, tem o papel fundamental de ser o vetor de contaminação de todos os níveis da organização, além de, muitas vezes, ser a porta de entrada da pessoa com deficiência no mercado de trabalho”, destaca Cavellucci.

 

 

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Todos os profissionais abrangidos pela Lei de Cotas assinam a Catho sem pagar nada. Para garantir seu acesso grátis, você só precisa:

– preencher o formulário de cadastro no site: catho.com.br/pcd

– se identificar como um profissional com deficiência

– anexar o laudo que caracteriza a deficiência ou o certificado de reabilitação no INSS

Após validação da nossa equipe, o seu acesso fica disponível para as mais de 4 mil vagas anunciadas diariamente no site.

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O jornalista Luiz Alexandre Souza Ventura tem 47 anos e comanda, desde 2012, o blog Vencer Limites (www.VencerLimites.com.br), espaço de notícias especializado no universo da pessoa com deficiência, integrado ao portal Estadão (www.estadao.com,br). Em mais de 23 anos de carreira, atuou nas principais redações da grande imprensa brasileira, entre as quais estão Grupo Estado, rádios CBN e Globo, Editora Abril e o jornal A Tribuna (Santos/SP). Apresenta palestras e escreve sobre acessibilidade e inclusão para veículos de comunicação, empresas e instituições públicas e privadas de todos os segmentos.

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Fonte: https://www.catho.com.br/

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